AUSÊNCIA DOS PAIS: um reflexo consistente na saúde emocional dos filhos.

AUSÊNCIA DOS PAIS: um reflexo consistente na saúde emocional dos filhos.

Ausência dos pais. Quem de nós não sentiu algum tipo de sensação, emoção ou relembrou algo diante de fatos relacionados à família? E quando lembrou, sentiu saudades?!

Saudade, algo tão peculiar da raça humana, não é mesmo?

Pois é, mas nossas recordações nem sempre são agradáveis, têm conteúdos que doem…. Que nos remetem a fatos mal elaborados, mal compreendidos e por que não, mal experenciados?

Há dores que não são fruto de saudade, por perda ou luto; há dores provenientes da falta da convivência, da privação da companhia, ou de uma má qualidade nessa relação.

Sobretudo, a rotina diária ou mesmo a forma como a estrutura familiar está disposta e organizada exige que os pais encarem como desafio o que deveria ser uma obrigação: tornar-se presente na vida dos filhos.

Ausência dos pais

Entendemos que a ausência dos pais interfere muito no modo como os filhos crescem, desenvolvem-se e se constituem como sujeitos. Convém dizermos que essa ausência se transforma em culpa para os pais, que não conseguem dar atenção com qualidade à prole. Isso desencadeia possíveis traumas aos filhos, uma vez que se sentem sozinhos ou até rejeitados pelos seus pais.

Especialistas ressaltam que a ausência traz danos em quaisquer circunstâncias. Em níveis diversos, porém, a idade e o motivo da ausência são elementos chave nesta questão.

Da mesma forma, independentemente de ser criança ou adulto, o sujeito necessita das referências dos pais para se inserir no mundo. Também para ter sentimento de pertencimento, diferenciar-se dos mesmos, inclusive, o que é salutar e esperado.

Em contrapartida, sem esse parâmetro, sem as referências, os indivíduos tendem a enxergar os relacionamentos humanos de maneira incongruente e negativa.

O que dizem os pensadores da psicologia

Nesse sentido, nossos pensadores da psicologia apresentaram entendimentos a respeito da evolução das fases de desenvolvimento do ser humano. Com eles buscaram explicar alguns fenômenos psicológicos dados na infância, que predizem futuros comportamentos.

Essas teorias, relacionadas de alguma forma com a importância da presença dos pais interatuando no universo particular dos filhos.

De modo resumido, e apenas enquanto apontamento, temos Sigmund S. Freud, médico neurologista e psiquiatra, pai da psicanálise, o qual percebeu, ao longo do desenvolvimento físico e mental, que as pessoas passam por fases psíquicas.

Ele denominou de fases psicossexuais: fase oral, fase anal, fase fálica (na qual se desenvolve o complexo de Édipo), período de latência e fase genital.

Cada fase trouxe uma contribuição importante nas correlações do sujeito com o desenvolvimento da sua sexualidade, e interação com o mundo externo. E entrega, até os dias atuais, que no decorrer dessas fases, há implicação direta da presença/relação dos pais na constituição psíquica desse sujeito.

Abrimos um parêntese para falarmos sobre uma das fases…

Há uma real importância em observarmos a fase de 0 a 3 anos, na qual a formação da personalidade da criança ainda não está definida. Neste momento a referência dos pais é essencial para que isso se dê sem prejuízos emocionais e psicológicos.

Percebemos que se os pais forem ausentes nessa fase, a criança poderá se sentir desprotegida. Neste caso pode não ter condições de diferenciação entre o “certo e errado” e fixá-la por meio de excessos orais diversos.

Doenças cognitivas, compulsões de várias naturezas, obesidade, desnutrição e problemas afetivos são algumas decorrências traumáticas da má elaboração dessa fase.

Desse modo, podemos enfatizar o quanto primordial é a presença dos pais neste período. Os traumas sofridos nela se estendem e perduram pela vida adulta do indivíduo.

Adolescência

Na adolescência, Freud nos apresenta que os efeitos da ausência dos pais são mais de ordem comportamental. Isso reflete tanto na vida familiar e amorosa, quanto no convívio social.

Em razão de não se estabelecer segurança com a presença e não desenvolver pertencimento, o jovem tende a se distanciar. O resultado é um jovem que busca referências fora de casa, porque não as encontra nos pais. Há grande probabilidade desse jovem manifestar um comportamento agressivo, combativo por conta dos parâmetros ausentes nos cuidadores.

Filhos com essa falta, sentem-se trocados e traídos pelos pais, e perdem seu grau de importância no mundo. Especialistas apontam que sinais como tiques nervosos, tristeza, apatia ou agressividade são bastante comuns quando o motivo da ausência é esse. E em casos assim, orientamos os pais para que prestem atenção aos comportamentos dos seus filhos. A ideia é evitar que entendam como frescura ou ser decorrentes de outros motivos.

Não podemos oferecer aquilo que não recebemos

Caso essa ausência sentida venha por conta da separação dos pais, é possível evitar os traumas. Tal fato é possível estabelecendo regras e manutenção da rotina que se assemelhe com a que os filhos levavam antes da separação.

Porém, pode ser que o filho não conheça um dos pais, ou mesmo os dois; em casos como esses, os comprometimentos psicológicos são quase imensuráveis. A máxima de que “não podemos oferecer aquilo que não recebemos” se aplica muito e explica um pouco.

A questão maior aqui reside no fato de que, quando não conhecemos nossas origens, fica difícil desenvolver o sentimento de pertencimento. Este sentimento faz com que nos sintamos filhos de alguém, e assim, complica estabelecer laços afetivos de qualidade com outras pessoas.

Percebe a importância da presença dos pais, ou então, de figuras de cuidado e proteção, na vida dos filhos?

Demais teóricos

Nessa compreensão, seguimos discutindo sobre demais teóricos que explicaram o desenvolvimento segundo suas teorias.

Erik Erickson, psicanalista, criador da Teoria do Desenvolvimento Psicossocial, é um dos teóricos da Psicologia do Desenvolvimento. Ele postulou uma teoria acerca do desenvolvimento humano em oito estágios psicossociais.

As 8 Fases do Desenvolvimento Psicossocial em Erik Erickson:

Confiança X Desconfiança (até um ano de idade); Autonomia X Vergonha e Dúvida (segundo e terceiro ano); Iniciativa X Culpa (quarto e quinto ano); Construtividade X Inferioridade (dos 6 aos 11 anos); Identidade X Confusão de Papéis (dos 12 aos 18 anos).

Esses estágios se concentram na orientação de um indivíduo em relação a si mesmo e aos outros; inseridos neles estão os aspectos de ordem social e sexual do desenvolvimento da pessoa e de seus conflitos pessoais.

Os primeiros quatros estágios são decorrentes do período de bebê até a infância. Os últimos estágios se referem à idade adulta e a velhice.

Todavia, Erikson enfatiza a importância da adolescência, visto que a transição entre o período de adolescência e idade adulta apresenta um fator de grande relevância para a formação da personalidade do sujeito.

Essa teoria está inserida no amplo quadro das teorias psicodinâmicas da personalidade.

Basicamente, as duas teorias se diferenciam. O centro da diferença entre a teoria psicanalítica de Erick Erikson e a de Freud reside no fato de que esse teórico adotou uma concepção global do desenvolvimento humano.

Já para Erikson o desenvolvimento do indivíduo contempla todo o ciclo vital e não é firmado em concepções psicossexuais, para ele, o meio sociocultural influencia nesse processo.

Diferenças entre os teóricos

Uma das grandes disparidades entre teóricos supracitados se implica no fato de Erikson ter como base da sua teoria, uma psicologia do ego e não exatamente uma psicologia do Id ou das pulsões inconscientes.

Contrariando a teoria freudiana, Erickson ressaltou que o ego não é um mero gestor. O ego se configura como uma energia positiva, e está envolvimento num melhor enquadramento da pessoa no mundo.

Como bom neofreudiano que era, Erickson, mantinha a importância da infância como a fundação de seu desenvolvimento. Mas afastou-se do foco no aspecto sexual e passou a olhar com mais atenção sobre as crises psicossociais. Estas podem auxiliar na definição da personalidade do sujeito.

Nossos teóricos nos aproximaram de entendimentos sobre a importância da presença dos pais no processo de desenvolvimento humano do indivíduo.

Eles também nos participaram dos prejuízos emocionais e dos processos traumáticos que decorrem da ausência dos pais no tocante à construção sadia de relações afetivas e sociais, bem como nas interações com o meio.

Portanto, trouxemos à discussão dois dos teóricos expressivos no campo psicológico. Mas há muitos outros que firmaram colaboração expressiva na compreensão dos processos mentais e comportamento humano.

Pais ausentes não geram só vazios físicos

Acima de tudo, pais ausentes não geram só vazios físicos de uma figura que não se teve, é também a representação de alguém que ‘mesmo estando’, não soube ou não quis exercer o seu papel.

É uma ausência psicológica capaz de criar em uma criança diversas feridas emocionais. Estas desencadearão ‘quebras psíquicas’ que reverberarão nos afetos, em ações e motivações futuras.

Adultos feridos ferem, e certamente foram crianças feridas que calaram em algum momento…

Caso se interessem em conteúdos específicos, não esqueçam de deixar nos comentários! Vamos amar interagir com todos vocês!

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