Por que a infecção viral que você tem hoje pode virar outra doença amanhã?

Por que a infecção viral que você tem hoje pode virar outra doença amanhã?

Por que a infecção viral que você tem hoje pode virar outra doença amanhã? Existem inúmeros microorganismos que vivem em perfeita harmonia com o ser humano e alguns são, inclusive, necessários para a nossa existência. Como as bactérias intestinais.

Contudo, seres muito pequenos como os vírus são o que chamamos de parasitas intracelulares obrigatórios. Ou seja, necessitam dos mecanismos das nossas células para se proliferarem e se manterem vivos. 

Assim, reconhecemos inúmeras doenças causadas por estes seres microscópicos desde uma simples catapora até a AIDS e, recentemente, a COVID.

Mas o que muitos não sabem é que infecções virais, além de doenças específicas relacionadas a infecção aguda, desencadeiam anos mais tarde doenças como câncer e doenças autoimunes.

Daí a importância redobrada de se prevenir contra infecções, sobretudo com vírus novos e desconhecidos como o Sars-CoV-2.

Como isso afeta a nossa pele?

Na dermatologia existem exemplos clássicos disto. Cada vez mais os mecanismos desta interação estão sendo elucidados por técnicas capazes de mapear o material genético dos vírus e seu comportamento nas células.

É possível citar a relação entre o Sarcoma de Kaposi, lesão tumoral de nódulos violáceos, onde há proliferação maciça de vasos na pele, e a infecção por Herpes Vírus tipo 8.

Os cientistas descobriram que este vírus pode causar doença clínica significante. Possivelmente através da manipulação de mecanismos de controle celular e evitando ou modificando o sistema imune.

Para se ter ideia, em pacientes com HIV e Sarcoma de Kaposi,  a taxa de positividade de contato para Herpes tipo 8 pode chegar a até 98%.

Hepatite C

Outro exemplo disso, diz respeito ao vírus da Hepatite C. Estima-se que no Brasil aproximadamente 3,2 milhões de pessoas tenham o vírus. Trata-se, portanto, de um problema de saúde pública.

E a combinação entre uma doença de pele chamada Líquen Plano, que causa lesões orais e lesões arroxeadas na pele com muita coceira, e o vírus da hepatite C tem sido frequentemente relatada.

Além disso, alguns autores sugerem que as lesões do líquen plano tenham como causa a multiplicação viral na pele e em mucosas ou produto de uma reação imune induzida pelo vírus.

A princípio, a relação causal entre as duas enfermidades ainda não foi claramente estabelecida, porém em alguns estudos a associação chega a 65%.

HTLV-1

Ainda seguindo a mesma linha é possível citar o desconhecido vírus HTLV-1, que é transmitido da mesma forma que o vírus HIV. Acredita-se que o Brasil abrigue o maior número absoluto de indivíduos infectados no mundo.

Ele é  comprovadamente causador de uma forma grave de leucemia, que é, geralmente, fatal: A leucemia/linfoma de células T do adulto. Esta ocorre, em geral, após longo período de latência e manisfesta-se na pele como extensas áreas avermelhadas, ásperas e descamativas, além de mútiplos nódulos.

Nesse sentido, poderíamos seguir desta forma e citar inúmeras outras associações. Apenas  ficando nas dermatológicas, ainda temos como exemplo o Poliomavírus com associação com carcinoma de Merkel e o vírus HPV e as verrugas e câncer genital.

Precauções

Enfim, o que deve ficar na nossa mente é que devemos nos precaver ao máximo de toda infecção viral. Sobretudo, dos vírus que não temos conhecimento estabelecido das repercussões a longo prazo, como o da COVID.

Afinal, sabemos que a incorporação do material genético do vírus às nossas células, alterações na imunidade causadas por estes microorganismos e diversos outros mecanismos podem estar na gênese de muitas doenças graves.

Escrito por Felipe Cezar da Silva Dias – CRM/PR 34055

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